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Roberto Mícoli, Campinas, 1953                                                                                                
Vive e trabalha em São Paulo.

 

 

...esse seu lado artesanal vem mais à tona. Temos aqui até trabalhos muito semelhantes a armadilhas de verdade aqui e, ao mesmo tempo, vejo uma grande organização. Você parece ter algo em comum com os antropólogos: essa necessidade de classificar as ideias, as coisas, as palavras.  O que transparece aqui é um trabalho sobre variações dentro da permanência, através de suportes diferentes. Isso que me leva a dizer que, agora, eu seria capaz de reconhecer qualquer trabalho seu. Como se, entrando no seu ateliê, aquele aspecto da arqueologia me aparecesse com todos seus sentidos e eu tivesse acesso à sua verdadeira mitologia artística.

Stéphane Malisse – 2010

 

... "A atmosfera de casualidade que exala do conjunto desses desenhos de Mícoli, nos quais as linhas brincam de momentaneamente significarem isso e aquilo - um pé, um peixe, uma planta - para no momento seguinte se embaralharem, apontando possibilidades inefáveis, que não se deixam capturar, explícita o processo mediante o qual marcamos nossa presença no mundo, um processo onde um se amolda ao outro."

Agnaldo Farias - 1998

 

Exposição Individual Galeria Nara Roesler S.Paulo

“Mícoli parte do potencial das religiões.  São os ritos e paramentos dos povos das Américas, Ásia e África que constituem o material sígnico de seu trabalho: a aesthesis religiosa reifica, re-liga.”

“O gesto artístico do fazer, valendo-se da prática artesanal paciente e caprichosa para articular, tecer, amarrar, costurar, resgata práticas civilizatórias ancestrais e as põe em contraste com a racionalidade da expressão formal.  O artista vale-se do minimalismo, da serialidade, da repetição, reificando os códigos e estimulando o diálogo com o observador."

Lisbeth Rebolo Gonçalves - 1996

 

Mostra Itinerante pela América Latina e MAC-USP

... "Do alto do seu ateliê, o artista avista parte da metrópole que é São Paulo. É desta perspectiva que retoma - quase como numa meditação - um fazer antigo: trançar, perfurar, cozer, tingir.  Há uma certa reverência no trato dos materiais, um comedimento no manuseio, uma economia de recursos.  A solução plástica retém a concisão formal, a integração forma/cor, o rigor da fatura característicos de sua produção.  Não se trata aqui de uma abordagem romântica do primitivo. As obras aludem a cultura neolítica sem deslizar para o exótico ou cair na banalidade do artesanato.  Há uma inteligência plástica nestes objetos cuja sensualidade latente atenua qualquer rigidez construtiva.  Segundo o ensinamento zen, é o pensamento do arqueiro que guia a seta para o alvo."

Maria Alice Milliet - 1994  

 

Exposição Individual MAM - S.Paulo

”Em sua produção atual, o estágio de volta ao passado da História da Arte já foi ultrapassado e Mícoli parece ter encontrado, enfim, uma região anterior ao surgimento da História, a noção originária do artista, aquele quase deus que, exercendo a ação sobre a matéria, organiza o caos.

Se acompanharmos o seu processo nos últimos anos veremos como o artista aos poucos vai realizando essa trajetória de regresso a figura mítica do artista, através - inicialmente - do uso que fez de signos originários das mais diversas culturas para a elaboração de suas obras."

Tadeu Chiarelli - 1988  

 

Exposição Individual Galeria Espaço-Capital / Brasília

”Em seu caleidoscópio, entrou de tudo: os desenhos de Caribé, dos anos 50 e 60; a pintura de Sued; os peixes de vento da Liberdade, o bairro japonês paulistano; a arte plumária e as pinturas corporais dos indígenas; a arte africana, com suas máscaras e esculturas; e um profundo amor pelo caos babilônico, os painéis anônimos espalhados pelas cidades, os olhos fechados em sonhos e pesadelos, a arquitetura natural das formas e a natureza dos desejos.

"Agora estou fazendo o vocabulário de meus signos, as vezes surge separados, as vezes juntos”.  Disse Mícoli.

Ele passa suas horas rascunhando folhas de papel onde coloca suas sínteses e não vai à tela enquanto não se sente recheado de imagens-sínteses.

... Passar a vida a limpo, isso é certo. O que os olhos colhem pelas avenidas não é apenas geométrico; e a paixão não é abstrata, como a dor não é só concreta; do mesmo jeito, os sonhos não beiram só o surrealismo, mas também linhas mondriânicas; assim, nada cala as ansiedades, nem mesmo a loucura.

"Não havia caminho celeste e os homens descobriram suas beberagens sangrentas".  Escreveu Nietzsche. E assim foi inventada a magia.”

Miguel de Almeida - 1985  Exposição Individual Galeria São Paulo